A reunião decorreu sob a sombra de um recente telefonema entre Trump e Vladimir Putin, que adicionou uma camada de complexidade às negociações. A visita de Zelensky a Washington tinha como objetivo principal garantir o fornecimento de mísseis Tomahawk, armamento de longo alcance capaz de atingir alvos a 2.500 quilómetros, que Kiev considera essencial para alterar o equilíbrio de forças no terreno e obter uma posição negocial mais vantajosa. Numa tentativa de persuadir a administração norte-americana, o presidente ucraniano chegou a oferecer "milhares" de drones fabricados na Ucrânia em troca dos mísseis.

Contudo, Donald Trump mostrou-se reticente, afirmando que preferia "acabar com a guerra sem serem precisos" estes mísseis e que esperava que pudessem "ficar nos EUA".

Impulsionado pelo recente cessar-fogo em Gaza, Trump manifestou um forte desejo de alcançar rapidamente um acordo de paz, declarando que "é tempo de parar com a matança e fazer um acordo".

Esta posição parece ter sido influenciada por uma longa conversa telefónica com Vladimir Putin, que terá ocorrido na véspera do encontro com Zelensky. Putin terá avisado que o fornecimento dos Tomahawks seria visto como "uma escalada" e, ao mesmo tempo, propôs um novo encontro com Trump em Budapeste, o que parece ter desviado a atenção do presidente americano do pedido ucraniano. Analistas sugerem que, apesar do "grande rancor" entre os líderes russo e ucraniano, Trump vê uma oportunidade para replicar o seu papel de mediador, embora as suas hipóteses de sucesso sejam consideradas mais limitadas neste conflito.