No Dia Mundial de Combate ao Bullying, os dados divulgados pela GNR e pela PSP revelam uma realidade preocupante. A GNR registou 119 ocorrências no ano letivo passado, das quais 106 foram de bullying e 13 de cyberbullying. Desde o início do presente ano letivo, a GNR já realizou 336 ações de sensibilização em escolas, abrangendo mais de 12 mil crianças, numa tentativa de promover a “mudança de comportamentos”. A PSP registou perto de 300 casos no total.

Um dos maiores desafios, segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, é o silêncio das vítimas.

Num guia lançado para pais e cuidadores, a Ordem explica que muitos jovens não denunciam as agressões por receio de serem julgados ou de lhes ser retirado o acesso ao telemóvel e às redes sociais, o que agrava o seu isolamento.

Os especialistas recomendam que os pais estabeleçam um diálogo aberto com os filhos sobre o uso da internet e estejam atentos a sinais de alerta.

O tenente-coronel da GNR, Cláudio Saraiva, destacou que, apesar do aumento de incidências, “o bullying e o cyberbullying não estão tipificados como crime” em Portugal, o que pode dificultar a resposta legal ao fenómeno.