Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os preços das casas dispararam 19% no segundo trimestre do ano, face ao período homólogo, com o preço mediano a ultrapassar os 2.000 euros por metro quadrado pela primeira vez. A escalada de preços foi particularmente acentuada em 19 dos 24 municípios mais populosos do país, com Vila Nova de Gaia, Coimbra e Amadora a liderarem os aumentos.

A situação é especialmente crítica em Lisboa, que se destaca negativamente no panorama europeu.

Um relatório divulgado pelo Conselho Europeu conclui que a capital portuguesa é a cidade da União Europeia onde os habitantes necessitam de despender a maior percentagem do seu salário para pagar a habitação, atingindo um valor insustentável de 116%. Este número coloca Lisboa à frente de outras grandes cidades europeias, evidenciando um problema que o relatório descreve como “estrutural na UE”.

Perante este cenário, surgem propostas para mitigar a crise.

O economista João Duque, em declarações à Renascença, defendeu um aumento do imposto sobre casas que estejam vazias como forma de aumentar a oferta no mercado de arrendamento e, consequentemente, fazer baixar os preços.

A discussão sobre a habitação acessível foi, pela primeira vez, agendada para um Conselho Europeu, sinalizando a crescente preocupação com o tema ao mais alto nível político.