A decisão, comunicada numa carta aos militantes, surge dois anos e meio após ter sucedido a Catarina Martins e na sequência de resultados eleitorais considerados negativos.
Na sua comunicação, Mortágua reconheceu que a renovação que procurou implementar "não se revelou suficiente para relançar" a intervenção social do partido. Afirmou que a sua decisão foi ponderada e que pretende concluir o processo orçamental em curso antes de abandonar também o seu lugar como deputada no Parlamento, o que deverá acontecer em novembro. Garantiu, no entanto, que continuará a "fazer política" e a "construir a esquerda" dentro do partido.
A sucessão na liderança será decidida na próxima convenção nacional do BE, agendada para 29 e 30 de novembro.
O nome de José Manuel Pureza, antigo vice-presidente do Parlamento, surgiu como um possível candidato, embora o próprio tenha apelado à calma, afirmando que é preciso encontrar uma "solução que dê força" ao partido, sem "cenários precipitados". A saída de Mortágua foi comentada por adversários políticos, como André Ventura, que a considerou o "corolário natural" da queda progressiva do partido. A decisão abre um período de reflexão e reestruturação interna no Bloco de Esquerda, num momento que comentadores descrevem como uma crise que reflete as dificuldades da esquerda em Portugal.













