No seu requerimento, Delille afirmou que continuar no julgamento "violenta em termos insuportáveis" a sua consciência e dignidade profissional.

A reação do tribunal foi imediata: a juíza nomeou um advogado oficioso, José Manuel Ramos, e negou-lhe o pedido de 48 horas para se inteirar do processo, argumentando a urgência do caso e a insuficiência do prazo.

A juíza ordenou ainda uma nova comunicação à Ordem dos Advogados sobre a conduta de Delille.

José Sócrates, ausente da sessão, reagiu por escrito, culpando a "hostilidade do tribunal" pela saída do seu "grande amigo" e criticando o que considera ser um desrespeito pelo seu direito à defesa.

Comentadores jurídicos e políticos descreveram o acontecimento como "absurdo, grave e insólito", com alguns a sugerirem que se trata de uma "estratégia claramente combinada" para atrasar o processo, enquanto outros defendem que a decisão da juíza de prosseguir o julgamento pode gerar nulidades. A sessão prosseguiu com o testemunho do ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha, que afirmou que Sócrates insistiu "desde o início" na nomeação de Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos.