As autoridades detiveram três suspeitos e iniciaram uma investigação, enquanto a comunidade se mobiliza para ajudar os desalojados.

Hong Kong enfrenta uma das suas maiores tragédias recentes, após um incêndio devastador ter atingido um complexo de oito arranha-céus no bairro de Tai Po, onde residiam cerca de 4.800 pessoas. O balanço de vítimas tem vindo a agravar-se, com os números mais recentes a apontarem para pelo menos 83 mortos e mais de 250 desaparecidos, o que faz prever que o número final de fatalidades seja ainda maior. O fogo, que deflagrou na quarta-feira e continuava ativo mais de 24 horas depois, alastrou-se a sete das oito torres.

As operações de resgate prosseguem em condições difíceis, com os bombeiros a enfrentarem temperaturas muito elevadas que impedem o acesso a alguns pisos. A investigação preliminar sugere que a rápida propagação das chamas pode estar relacionada com os materiais utilizados nas obras de renovação que decorriam no complexo desde 2024, nomeadamente andaimes de bambu e materiais esponjosos nas janelas. Três homens, incluindo dois diretores e um consultor de engenharia da empresa de construção, foram detidos por suspeita de homicídio voluntário. O governo de Hong Kong prometeu uma "investigação completa", ordenou uma inspeção imediata a todas as obras de renovação e pondera adiar as eleições legislativas.

A comunidade local mobilizou-se para apoiar os desalojados, que foram encaminhados para abrigos temporários.