A decisão encerra nove meses de averiguações sem que tenham sido encontrados indícios de qualquer ilícito criminal, num desfecho que traz alívio político ao chefe do Governo. O despacho do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) concluiu "não existir notícia da prática de ilícito criminal, razão pela qual foi a averiguação preventiva arquivada".

Esta decisão foi notificada a Luís Montenegro e põe termo a uma polémica que marcou o início do ano.

A utilização da figura de "averiguação preventiva" em vez de um inquérito-crime foi descrita por analistas como "quase inédito" e "insólito sem precedentes". O advogado António Raposo Subtil comentou que "o Ministério Público devia ter desenvolvido as diligências sem o rótulo de averiguação preventiva".

A decisão foi recebida com reações diversas no espectro político.

O ministro da Defesa, Nuno Melo, considerou o arquivamento um "facto natural", afirmando: "Esse para mim nunca foi um assunto porque nunca tive dúvidas".

Já Henrique Gouveia e Melo, candidato presidencial, viu o desfecho como o fim de uma "nuvem negra" para Montenegro, algo que trará "tranquilidade e estabilidade" ao país.

Paulo Muacho, do Livre, também considerou positivo "que não exista qualquer suspeita de ilícito criminal sobre o primeiro-ministro".

O arquivamento é visto como um fator de estabilização para o executivo, eliminando uma fonte de pressão e especulação política.