A oposição criticou veementemente o discurso, acusando o governante de apresentar uma visão desconectada dos problemas reais que afetam os portugueses.

No seu discurso, Luís Montenegro destacou os bons indicadores económicos e o prémio atribuído pela revista The Economist a Portugal, argumentando que o país está “no caminho certo”.

O primeiro-ministro apelou a uma mudança de atitude coletiva, exortando os portugueses a adotarem uma “mentalidade de Cristiano Ronaldo”, baseada na superação e na ambição, em detrimento da “mentalidade do deixa andar”.

Montenegro expressou ainda a sua confiança na estabilidade política, antecipando “três anos e meio sem eleições nacionais”, período que, segundo ele, deve ser aproveitado para implementar reformas estruturais que aumentem a produtividade e, consequentemente, os salários.

A oposição, contudo, reagiu de forma muito crítica. O PS, pela voz de Inês de Medeiros, classificou a mensagem como sendo de um “mentor de autoajuda”, lamentando a ausência de temas cruciais como a saúde e a habitação. A Iniciativa Liberal, através de Mariana Leitão, acusou o primeiro-ministro de vender um “país das maravilhas” que não corresponde à realidade. Os partidos mais à esquerda, como o Bloco de Esquerda, PCP e Livre, seguiram a mesma linha, afirmando que Montenegro falou de um país que não existe e ignorou as dificuldades sentidas pela população, como a crise na habitação e a precariedade laboral.

Apenas o PSD e o CDS-PP defenderam a mensagem, considerando-a um discurso de “esperança e confiança no futuro”.