Esta nova compreensão da biologia tumoral identifica as proteínas vizinhas às mutadas como alvos promissores para futuras terapias oncológicas.
Publicado na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences*, o estudo partiu da questão de por que motivo certas mutações genéticas causam cancro em alguns tecidos e noutros não.
Os investigadores do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) analisaram as interações entre proteínas usando a vasta base de dados do *Cancer Genome Atlas Program*.
A equipa descobriu que a célula cancerosa funciona como uma "turma malcomportada", onde a evolução da doença não depende apenas de uma única proteína mutada (a "driver"), mas também da influência das suas "vizinhas". O estudo concluiu que estas proteínas vizinhas podem influenciar a proteína mutada de forma positiva, inibindo a doença, ou negativa, acelerando a sua progressão. Esta descoberta é crucial porque significa que "estas proteínas vizinhas são alvos promissores para tratamentos com fármacos".
Em vez de visar apenas a proteína com a mutação original, que pode ser difícil de atingir terapeuticamente, os tratamentos podem ser direcionados para as suas parceiras de interação, modulando assim a sua atividade maligna. A Faculdade de Ciências considera as conclusões "animadoras para o futuro dos tratamentos oncológicos, dado que podem, em teoria, permitir personalizar e direcionar cada vez melhor os tratamentos em variadíssimos tipos de cancro". Apesar do otimismo, o investigador Francisco Pinto apela à cautela, lembrando que "ainda há um longo caminho a percorrer" até ao desenvolvimento de fármacos, que podem enfrentar problemas de toxicidade e efeitos adversos. No entanto, a identificação de múltiplos novos alvos aumenta a probabilidade de sucesso no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.














