A investigação, publicada na revista *Biology Letters*, analisou dois molares de mamute encontrados no oeste do Canadá, que pertenciam a indivíduos híbridos.

Acreditava-se que o mamute-lanoso, adaptado a climas frios, vivia mais a norte, enquanto o mamute-colombiano habitava as regiões mais a sul, com vidas maioritariamente separadas.

No entanto, a análise de ADN mostrou que o cruzamento era comum. Um dos dentes, com cerca de 36 mil anos, pertencia a um animal cujo genoma era mais de 21% herdado de mamutes-colombianos. No dente mais recente, de cerca de 11.000 anos depois, essa ancestralidade subia para pouco menos de 35%. Esta descoberta complementa uma investigação anterior, de 2021, que sugeria que o próprio mamute-colombiano surgiu da hibridação entre mamutes-das-estepes e mamutes-lanosos, depois de ambos terem atravessado a ponte terrestre entre a Sibéria e o Alasca. Como resultado, até metade do ADN dos mamutes-colombianos provinha de mamutes-lanosos. O novo estudo demonstra que o fluxo genético era bidirecional, com os mamutes-lanosos a herdarem também genética dos colombianos.

O professor Adrian Lister, coautor do estudo, sublinhou a importância destas conclusões: "Tradicionalmente, somos ensinados que espécies diferentes não podem cruzar-se entre si.

No entanto, à medida que a nossa capacidade de investigar a genética evoluiu, estamos a descobrir que isso já aconteceu muitas vezes". Lister acrescenta que esta abordagem pode ser aplicada a outros animais extintos para "compreender melhor o papel que a hibridação desempenhou na evolução das espécies que vemos hoje".