A crise da habitação consolidou-se como uma das principais preocupações no debate político nacional, transcendendo as discussões setoriais e emergindo como um tema central para diversas figuras políticas, incluindo candidatos presidenciais e membros do Governo. Esta proeminência reflete a crescente dificuldade que as famílias portuguesas enfrentam no acesso a uma morada digna, seja através da compra ou do arrendamento. O candidato presidencial António José Seguro defendeu que a resolução dos problemas da habitação e da saúde deve ser prioritária em relação a uma revisão constitucional, sublinhando que “hoje uma família de classe média não tem condições para arrendar ou comprar uma casa para que o seu filho possa estudar ou constituir a sua vida”.
Esta visão é partilhada por outras figuras, como a candidata da CDU na Ponta do Sol, Matilde Murzelo, que destacou a habitação como “a principal necessidade” do seu concelho. O próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou a política de habitação como “central” para o seu Executivo. A crise é também reconhecida como um entrave à mobilidade laboral na União Europeia, conforme assinalado pelo Secretário de Estado do Trabalho, Adriano Moreira, que incluiu a habitação entre as questões a serem tidas em conta para garantir a livre circulação de trabalhadores.
Este consenso alargado sobre a urgência do tema demonstra a sua transversalidade e o seu impacto profundo na coesão social, na economia e na vida quotidiana dos cidadãos.
Em resumoA habitação tornou-se um tema incontornável na agenda política nacional, com candidatos presidenciais, líderes partidários e membros do Governo a reconhecerem a sua urgência. A dificuldade de acesso à morada é vista como um obstáculo fundamental ao desenvolvimento social e económico, exigindo soluções prioritárias.