A crescente dificuldade no acesso à habitação, especialmente nos grandes centros urbanos, está a impulsionar o surgimento de novos modelos de vida, como o 'flexliving' e o 'coliving'. Estas alternativas, que privilegiam a partilha de espaços e a flexibilidade contratual, são apresentadas como soluções interessantes para jovens e trabalhadores deslocados que procuram conveniência e um forte sentido de comunidade. O conceito de 'coliving' baseia-se na partilha de habitações onde os residentes dispõem de espaços privados, como quartos ou pequenos estúdios, mas partilham áreas comuns como cozinhas, salas de estar e espaços de trabalho.
Este modelo não só reduz os custos individuais, mas também promove a interação social e o combate ao isolamento.
O 'flexliving', por sua vez, alarga esta ideia a uma maior flexibilidade nos contratos de arrendamento, permitindo estadias de curta ou média duração sem as burocracias do mercado tradicional.
Horacio Morales Blum, fundador da consultora Our House, considera que "o coliving é uma solução interessante para um jovem até tomar a decisão de ter casa própria". A procura por estes modelos já existe em Portugal, refletindo uma mudança de mentalidade onde o acesso a um estilo de vida e a uma comunidade se sobrepõe, por vezes, à posse de um imóvel. O grande desafio, segundo os especialistas, é aumentar a escala e a oferta destes projetos no mercado português para que se tornem uma alternativa viável para um número mais significativo de pessoas, respondendo de forma inovadora às pressões do mercado imobiliário tradicional.
Em resumoO 'flexliving' e o 'coliving' representam uma resposta moderna e pragmática à crise de acessibilidade da habitação em Portugal. Embora a procura por estes modelos esteja a crescer, a sua consolidação como uma alternativa de mercado significativa dependerá da capacidade dos promotores para aumentar a oferta e adaptar os projetos às necessidades específicas da população portuguesa.