Esta estratégia foi particularmente visível na sua reação às críticas e na divulgação de apoios transversais que alega ter. Após ser alvo de críticas de Cavaco Silva e de ser classificado como de esquerda por André Ventura, Gouveia e Melo considerou estas acusações “curiosas” e reveladoras de ideias presas “no tempo”.

O candidato manifestou orgulho nas suas origens, mas rejeitou ser encaixado nos eixos políticos tradicionais.

Para reforçar esta imagem de transversalidade, revelou que tem recebido, “em privado”, apoios de figuras do PS, PSD e CDS.

O apoio público do ex-ministro socialista Manuel Pizarro e o papel do ex-líder do PSD Rui Rio como seu mandatário nacional são as faces mais visíveis desta estratégia. Rui Rio, por seu lado, tem sido uma voz ativa na defesa do almirante, justificando, por exemplo, o polémico almoço com André Ventura como uma forma de “pôr tudo em pratos limpos” e deixar clara a “incompatibilidade” entre ambos.

Esta postura permite a Gouveia e Melo apelar a um eleitorado mais vasto e descontente com os partidos, apresentando-se como um elemento externo ao sistema capaz de gerar consensos, embora os seus adversários o acusem de falta de definição ideológica e de experiência política.