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União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 25 anos de negociações

Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia deu luz verde ao acordo comercial com o Mercosul, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo apesar da forte oposição de vários Estados-membros e dos agricultores europeus.
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A União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul, bloco composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, após 25 anos de negociações.

A assinatura formal está marcada para 17 de janeiro no Paraguai.

O entendimento estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de pessoas e representando aproximadamente 25% da economia global.

O principal objetivo do acordo é a eliminação progressiva da maioria das tarifas aduaneiras.

O Mercosul compromete-se a suprimir tarifas sobre 91% das exportações europeias, incluindo automóveis, máquinas e produtos químicos, num período de até 15 anos. Em contrapartida, a UE eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, maioritariamente produtos agrícolas como carne, açúcar e soja, num prazo máximo de 10 anos. Países como a Alemanha, com fortes exportações industriais, e setores específicos como o do vinho e azeite portugueses, são vistos como beneficiários.

A aprovação foi alcançada por maioria qualificada, apesar do voto contra de França, Polónia, Áustria, Hungria e Irlanda, e da abstenção da Bélgica.

O acordo tem sido alvo de forte contestação por parte dos agricultores europeus, que organizaram protestos em várias capitais, como Paris, Berlim e Bruxelas.

Os agricultores temem a concorrência dos produtos sul-americanos e questionam o cumprimento das normas ambientais e sanitárias da UE.

Para responder a estas preocupações, a Comissão Europeia reforçou as cláusulas de salvaguarda para produtos agrícolas considerados sensíveis, como carne bovina, aves, arroz e açúcar, permitindo a intervenção em caso de perturbações graves no mercado.

Apesar destas medidas, figuras como o presidente francês, Emmanuel Macron, consideram o acordo desadequado, enquanto a Confederação Nacional da Agricultura de Portugal alerta que o setor terá "mais perdas do que ganhos".

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