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Acordo UE-Mercosul beneficia grandes empresas mas gera apreensão no setor agrícola

O recém-aprovado acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul promete vantagens económicas significativas para certas multinacionais, ao mesmo tempo que levanta preocupações e incertezas entre os produtores agrícolas portugueses.
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O Conselho da União Europeia anunciou a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul, cuja assinatura está prevista para sábado, no Paraguai. O principal benefício financeiro do acordo é a redução de tarifas sobre bens industriais, que, segundo a Comissão Europeia, poderá representar uma poupança anual superior a 4 mil milhões de euros para os exportadores europeus.

Contudo, as reações ao acordo são mistas, com otimismo no setor industrial e cautela no setor agrícola.

Segundo a corretora XTB, nem todas as empresas serão beneficiadas, mas algumas estão particularmente bem posicionadas.

Do lado europeu, destacam-se a Stellantis, do setor automóvel, que já possui receitas de cerca de 15,9 mil milhões de euros na América do Sul; a química BASF, que poderá alavancar as suas vendas de soluções agrícolas na região; e a Siemens, que poderá beneficiar da abertura de concursos públicos no Mercosul em áreas como infraestruturas e automação. No Mercosul, entre as empresas que mais poderão ganhar estão a BRF, que beneficiará de quotas e acesso facilitado para a exportação de aves e carne bovina; a Adecoagro, com operações em laticínios, açúcar e etanol; e a Cosan, com forte exposição ao setor do etanol, para o qual a UE prevê novas quotas de importação com tarifas reduzidas ou nulas. Em contraste, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) manifestou-se apreensiva e desconfiada devido à falta de informação sobre os pormenores do acordo. Embora veja uma oportunidade na exportação de queijo, a associação teme o impacto negativo de uma possível descida do preço da carne bovina devido ao aumento das importações, o que afetaria a venda de vitelos e vacas em fim de vida. A Aprolep sublinhou a incerteza sobre o funcionamento das cláusulas de salvaguarda e a desconfiança dos agricultores nas instituições.

Os produtores defendem que a próxima Política Agrícola Comum (PAC) deve manter o apoio ao setor e pedem a desburocratização das regras para aumentar a competitividade, apelando à priorização dos produtos locais para garantir a segurança alimentar europeia.

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