Advogada do Chega recusa defender José Sócrates e adia julgamento da Operação Marquês



O julgamento de José Sócrates no âmbito da Operação Marquês foi novamente adiado, depois de estar parado há 56 dias.
O adiamento inicial deveu-se ao internamento hospitalar de José Preto, advogado do antigo primeiro-ministro, sem data prevista para a alta.
Perante esta situação, o Tribunal Central Criminal de Lisboa decidiu não suspender a sessão e nomear um defensor oficioso para garantir a continuação do processo.
A primeira advogada nomeada, Inês Louro, recusou a defesa de José Sócrates, invocando “objeção de consciência política”. Inês Louro, que é militante do partido Chega e antiga presidente da Junta de Freguesia de Azambuja pelo PS, justificou a sua decisão com a incompatibilidade ética entre as suas posições políticas públicas, críticas do processo, e a defesa do arguido.
“Não seria minimamente ético, quando se toma determinadas posições que são públicas, depois vir aqui defender outra questão na justiça”, declarou aos jornalistas.
Face à recusa, o tribunal nomeou uma segunda advogada oficiosa, Ana Velho.
Esta também tentou pedir escusa, argumentando não ter tempo suficiente para se inteirar de um processo de elevada complexidade. No entanto, o coletivo de juízes não aceitou o seu pedido, considerando que não poderia ser dispensada da função.
Foi-lhe concedido um prazo de cinco dias para contactar José Sócrates e analisar o processo, que se encontrava parado desde 11 de novembro de 2025. O recomeço do julgamento ficou, assim, agendado para o dia 13 de janeiro.
Apesar de contrariada e de considerar o prazo insuficiente, Ana Velho afirmou que irá cumprir com as suas obrigações legais, declarando: “A juíza fez muito bem porque está na lei e eu também vou fazer aquilo que me compete legalmente”.













