Agricultores europeus protestam contra o acordo UE-Mercosul e França anuncia pacote de 300 milhões de euros



Agricultores em vários países europeus, incluindo França, Espanha, Irlanda, Alemanha e Grécia, estão a realizar protestos em larga escala, com bloqueios de autoestradas e portos, contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
Os manifestantes temem a concorrência de produtos importados da América Latina, que consideram mais baratos e não sujeitos às mesmas normas sanitárias e ambientais rigorosas impostas aos produtores europeus.
Em França, os protestos concentram-se no sul do país e no porto de Le Havre, enquanto em Espanha, agricultores catalães mantêm bloqueios em estradas e no acesso ao Porto de Tarragona. O acordo, negociado durante mais de 25 anos, tem a sua assinatura formal agendada para 17 de janeiro no Paraguai e criará uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. O tratado facilitará a exportação europeia de automóveis, vinhos e azeite, e a importação de produtos como carne bovina, aves, açúcar e soja do Mercosul. Apesar da aprovação pela Comissão Europeia e do apoio de figuras como António Costa, o acordo enfrenta a oposição de países como França e Irlanda.
Em Portugal, as opiniões dividem-se.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considera o acordo "uma muito má notícia", prevendo mais perdas do que ganhos, especialmente nos setores da carne, e alertando para o risco de compressão dos rendimentos dos agricultores. Em contraste, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, vê o acordo como uma oportunidade para Portugal equilibrar o seu défice comercial com o Mercosul, destacando os benefícios para o vinho, azeite e queijo.
Em resposta à crescente contestação interna, o governo francês anunciou um plano de apoio de 300 milhões de euros para o setor agrícola. A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que o governo ouviu o "grande sinal de alarme" dos agricultores. O pacote inclui 130 milhões de euros para o arranque de vinhas, o aumento de fundos para a gestão da água e para criadores de gado, a revisão de regulações e o aumento da quota de caça ao lobo.












