António Filipe recusa acusações de dividir a esquerda e afirma a sua identidade política



O candidato presidencial António Filipe, apoiado pelo PCP e pelo PEV, considerou não poder ser acusado de impedir a convergência no campo da esquerda, atribuindo essa responsabilidade a outras candidaturas que surgiram posteriormente. Durante uma ação de campanha em Ermesinde, o candidato afirmou não ter tido qualquer iniciativa no sentido da divisão e que, se essa responsabilidade pode ser assacada, será às candidaturas que apareceram depois da sua. Numa outra intervenção, durante uma sessão com apoiantes em Aveiro, António Filipe garantiu que não renegará a sua origem política e que as suas convicções não ficam "à porta das eleições presidenciais". Criticou os candidatos que suspendem simbolicamente a sua filiação partidária durante a campanha, classificando tais atos como "números de ilusionismo" e defendendo que os portugueses julgam as pessoas por aquilo que sempre foram e defenderam.
O ex-deputado comunista sublinhou que não tem medo do juízo dos cidadãos.
Apesar de vincar a sua identidade, António Filipe referiu que a sua candidatura não se circunscreve a fronteiras partidárias. Afirmou que muitos cidadãos sem filiação partidária se identificam com o seu projeto, não por partilharem a mesma filiação, mas por se identificarem com os valores de Abril consagrados na Constituição e com a sua compreensão do papel que um Presidente da República deve desempenhar. As eleições presidenciais, agendadas para 18 de janeiro, contam com um número recorde de 11 candidatos.
Para além de António Filipe, concorrem Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª vez que os portugueses são chamados a eleger o Presidente da República em democracia.














