Governo do Irão corta acesso à internet para reprimir protestos em todo o país



As autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e às comunicações telefónicas em todo o país, numa altura de forte agitação social e manifestações convocadas pelo príncipe herdeiro no exílio.
O grupo de monitorização internacional NetBlocks confirmou o apagão, descrevendo-o como o culminar de “uma série de medidas crescentes de censura digital” que prejudicam o direito da população à comunicação num momento crítico. Os protestos, que se intensificaram desde o final de dezembro, são motivados pela deterioração das condições económicas, o aumento acentuado do custo de vida e a desvalorização da moeda nacional. A repressão por parte das forças de segurança tem sido violenta.
Imagens divulgadas antes do bloqueio digital mostram o uso de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes no histórico bazar de Teerão.
Desde o início da contestação, pelo menos 21 pessoas morreram, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da agência AFP baseada em fontes oficiais e nos meios de comunicação locais.
A escalada da violência reflete a gravidade dos confrontos entre os cidadãos e as autoridades.
Dentro do regime iraniano, as posições sobre como lidar com a crise divergem.
O presidente Masoud Pezeshkian apelou à “máxima contenção”, sugerindo uma abordagem mais moderada.
No entanto, o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, adotou uma linha dura, defendendo que os manifestantes devem ser “postos no seu lugar”.
Esta retórica foi reforçada pelo chefe do poder judicial, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, que acusou os manifestantes de agirem “em alinhamento” com os Estados Unidos e Israel, afirmando que não haverá tolerância para quem contribua para a instabilidade.
A comunidade internacional manifestou preocupação com a situação.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou às autoridades iranianas para que evitem mais mortes e respeitem os direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica. O apagão da internet é visto como uma ferramenta de controlo para limitar a comunicação e reprimir a contestação que continua a desafiar a estabilidade do regime.















