Associação Portuguesa de Imprensa alerta para a crise no setor dos media



A presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (APImprensa), Cláudia Maia, afirma que os meios de comunicação social em Portugal atravessam uma “tempestade perfeita” que se arrasta há anos. Esta crise é alimentada por múltiplos fatores, incluindo uma queda de 65% no investimento publicitário nos últimos cinco anos, com as verbas a serem canalizadas para as grandes plataformas digitais em detrimento dos órgãos de comunicação tradicionais. A esta quebra de receita somam-se as alterações nos hábitos de consumo, com a proliferação das redes sociais e, mais recentemente, o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) como o ChatGPT, que transformaram a forma como as notícias são consumidas e levaram à disseminação de desinformação. Este cenário reflete-se na diminuição drástica do número de publicações. Segundo a presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Helena Sousa, o número de títulos de imprensa registados caiu de quase 3.000 em 2010 para 1.675 em 2024.
Embora surjam novas publicações em formato digital, Cláudia Maia admite não saber se este modelo é mais sustentável, sublinhando que, em muitos casos, “o papel ainda paga as contas”.
A falta de apoio governamental concreto ao longo dos anos também agravou a situação, apesar da apresentação de um Plano de Ação para a Comunicação Social em outubro de 2024, cujas medidas aguardam, na sua maioria, implementação.
Um dos desafios mais prementes é a distribuição.
A Vasp, única distribuidora nacional, avalia a possibilidade de ajustar a distribuição diária em oito distritos de baixa densidade populacional.
A APImprensa considera esta medida “muito grave”, pois pode negar o direito constitucional à informação, isolar ainda mais as populações e comprometer a coesão territorial e a própria democracia.
A associação critica a inação do Governo, que prometeu lançar um concurso público internacional para garantir a concorrência no setor, mas nada avançou.
Aos problemas com a Vasp juntam-se as falhas sistemáticas dos CTT na entrega de assinaturas porta-a-porta desde 2016.
Para fazer face aos novos desafios, a APImprensa lançou programas de formação e mentoria em IA para jornalistas e quadros superiores, com o apoio da Google.










