Residentes da Beira Baixa contestam projeto de mega central fotovoltaica



O projeto para a construção da central solar fotovoltaica Sophia, na Beira Baixa, está a encontrar forte oposição por parte de residentes que se mudaram para a região em busca de tranquilidade e de uma maior ligação à natureza. A central, que representa um investimento de cerca de 590 milhões de euros, prevê uma capacidade instalada de 867 MWp e abrange os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco.
A sua implementação ocuparia 390 hectares com módulos fotovoltaicos, numa área total vedada de 1.734 hectares.
Moradores como Tiago Lourenço, um produtor de azeite que trocou Lisboa por Idanha-a-Velha há uma década, Julien Huys, um belga com um projeto de agroturismo em Penamacor, e Laurence Manchee, um britânico que se dedica à agricultura biológica no Fundão, partilham a mesma apreensão.
Todos afirmam não ter sido contactados sobre o projeto e temem que a “industrialização da paisagem” destrua os seus meios de subsistência e os motivos que os levaram a escolher o interior do país.
As principais preocupações são o impacto visual, a desvalorização dos terrenos, as alterações climáticas locais e a destruição de terras férteis e do modo de vida tradicional.
Os residentes queixam-se de que a central descaracteriza o território e põe em causa os seus projetos de vida, focados na agricultura sustentável, no turismo rural e na preservação da paisagem mediterrânica. Laurence Manchee refere que o projeto afetaria nove hectares da sua quinta e cortaria o acesso à mesma, e relata que um negócio de venda de uma propriedade vizinha foi cancelado após o anúncio da central. A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Beira Baixa já emitiu um parecer desfavorável ao projeto, que se encontra em fase de avaliação ambiental, com prazo até 9 de fevereiro.
Apesar da incerteza, os moradores mostram-se determinados a lutar contra a concretização da central Sophia.











