Ex-secretário de Estado defende nacionalização da Efacec e revela que o Estado recuperou 100 milhões de euros



Numa audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial, o ex-secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes, justificou a intervenção do Estado na Efacec em 2020 como uma decisão tomada num "quadro de absoluta emergência". Segundo o antigo governante, a situação da empresa era crítica, influenciada pelo impacto do escândalo 'Luanda Leaks', que envolvia a sua então acionista Isabel dos Santos, e pela "situação dramática" da pandemia de covid-19, ao ponto de, em junho de 2020, já não ter capacidade para pagar salários. João Nuno Mendes esclareceu que, dos 200 milhões de euros que o Estado injetou na empresa para cobrir custos fixos como salários ao longo de 20 meses, "recebeu de volta, sensivelmente, 100 milhões de euros em impostos e contribuições para a Segurança Social". O ex-secretário de Estado sublinhou que o objetivo da nacionalização foi salvar a empresa, os postos de trabalho e um setor industrial estratégico, e não os acionistas privados, referindo que o Estado não pagou indemnizações e anulou os 309 milhões de euros de capital social existentes. A Efacec foi vendida em novembro de 2023 ao fundo de investimento alemão Mutares. No âmbito do acordo, o Estado injetou mais 160 milhões de euros e o Banco de Fomento financiou 35 milhões. Mendes contrastou os dados de 2020, quando a empresa tinha um EBITDA negativo de 50 milhões de euros e um prejuízo de 73 milhões, com as projeções atuais. A empresa estancou as perdas operacionais e prevê vendas de 350 milhões de euros e um EBITDA de 42 milhões para este ano. O antigo governante mostrou-se otimista quanto à recuperação futura de verbas pelo Estado, através de um acordo que lhe dá direito a receber dois terços do valor da venda dentro de, no mínimo, cinco anos, o que "poderá atingir várias centenas de milhões", além da devolução do financiamento do Banco de Fomento com juros.











