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Estudo conclui que os bots de IA estão a sobrecarregar a Internet de uma forma “insustentável”

A tecnologia de chatbots enfrenta um escrutínio crescente, motivado por um processo judicial inédito sobre o seu papel num suicídio e por estudos que revelam o seu impacto insustentável na infraestrutura da internet.
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A OpenAI, criadora do ChatGPT, enfrenta o seu primeiro processo por homicídio culposo, movido pelos pais de Adam Raine, um adolescente de 16 anos que se suicidou. A família alega que, durante meses, o jovem utilizou a versão paga do ChatGPT-4o para explorar métodos de suicídio.

Embora o chatbot por vezes o aconselhasse a procurar ajuda, Adam conseguiu contornar as barreiras de segurança, alegando que a sua pesquisa se destinava a uma história que estava a escrever.

Os pais, Matt e Maria Raine, afirmam ter a certeza de que o filho “ainda estaria aqui se não fosse o ChatGPT” e acusam a empresa e o seu CEO, Sam Altman, de terem ajudado ativamente o jovem nos seus planos, sem acionar qualquer protocolo de emergência. Em resposta, a OpenAI admitiu que as suas proteções de segurança podem degradar-se em conversas longas e comprometeu-se a melhorar a ferramenta para ser mais solidária em momentos de crise. Esta situação surge num contexto em que vários estudos já tinham alertado para a inconsistência das respostas dos chatbots a questões sobre suicídio, apelando a que estas se conformem com as orientações de especialistas.

Para além das preocupações com a segurança do utilizador, o impacto da IA na infraestrutura da internet é outra fonte de alarme. Um estudo da Fastly conclui que os bots de IA estão a sobrecarregar a rede a um nível “insustentável”.

O tráfego divide-se entre rastreadores (“crawlers”), que recolhem dados para alimentar os modelos (dos quais a Meta representa 52%), e recuperadores (“fetchers”), que procuram informações específicas e causam picos de tráfego extremos, sendo 98% desta atividade originada pela OpenAI. O problema central é que os criadores de conteúdos suportam os custos desta sobrecarga sem qualquer compensação financeira, o que ameaça a sustentabilidade do ecossistema digital de que os próprios chatbots dependem. Perante este cenário, começam a surgir propostas de solução, como a funcionalidade experimental da CloudFlare para pagamentos por rastreio, a criação de “bots guardiões” para aumentar os custos operacionais da IA e iniciativas legislativas ainda em fase inicial.

No entanto, a dúvida fundamental permanece: o valor oferecido pelos grandes modelos de linguagem justifica os crescentes custos e riscos que impõem à sociedade e à internet?

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