Ex-assessor de Sócrates afirma que apenas o Grupo Lena quis construir casas na Venezuela



O ex-assessor económico de José Sócrates, Vítor Escária, afirmou em tribunal que o Grupo Lena foi a única de quatro empresas portuguesas a manifestar interesse na construção de casas sociais na Venezuela.
Em seu testemunho no julgamento da Operação Marquês, Escária explicou que o interesse partiu do Estado sul-americano, tendo o governo português consultado a Mota-Engil, a Teixeira Duarte, a Edifer e a Lena, sendo que apenas esta última respondeu afirmativamente. A acusação do Ministério Público sustenta que José Sócrates terá recebido quase 2,4 milhões de euros do Grupo Lena para garantir apoio privilegiado neste concurso, alegação que o ex-primeiro-ministro nega. Além deste caso, Sócrates é também suspeito de ter feito 'lobbying' a favor do mesmo grupo para um projeto de habitação social na Argélia, já depois de ter deixado o governo. Sobre o projeto na Argélia, o então embaixador de Portugal no país, António Gamito, também testemunhou, confirmando ter recebido um telefonema de José Sócrates em 2014 para agendar uma reunião entre um ministro argelino, o administrador do grupo Lena, Joaquim Barroca, e Carlos Santos Silva, alegado testa-de-ferro de Sócrates.
Gamito desvalorizou o pedido, considerando-o "absolutamente normal" e semelhante a outros que recebia de ex-governantes e empresários, tendo organizado o encontro no qual esteve presente.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado por 22 crimes, incluindo corrupção, por alegadamente ter beneficiado o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o resort Vale do Lobo.
O processo envolve 21 arguidos e 117 crimes económico-financeiros, praticados entre 2005 e 2014.
O julgamento decorre desde 3 de julho de 2025 e existe o risco de os crimes mais antigos, ligados a Vale do Lobo, prescreverem no primeiro semestre de 2026.











