Enfermeira diretora demissionária e Ordem dos Médicos denunciam crise de gestão no Hospital Amadora-Sintra



Luísa Ximenes, a enfermeira diretora demissionária da ULS Amadora-Sintra, afirmou ser "impossível gerir o que quer que seja" na instituição devido à "ausência total de apoio" por parte da ministra da Saúde, Ana Paula Martins. Após apresentar a sua demissão, Ximenes criticou a gestão da tutela, sublinhando que o hospital já foi sujeito a duas administrações demitidas e que uma terceira está a caminho.
A enfermeira diretora manifestou-se ainda "estupefacta" com as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre as demissões não resolverem os problemas da saúde, questionando a aparente contradição, dado que foi a própria ministra a demitir o segundo Conselho de Administração da unidade.
A instabilidade na ULS Amadora-Sintra não é recente.
A crise foi desencadeada pela demissão do presidente do Conselho de Administração, Carlos Sá, em novembro do ano anterior, seguida por outras saídas importantes, como a da diretora clínica hospitalar. Perante este cenário, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, classificou a situação como "verdadeiramente emergente" e defendeu que a substituição da administração deveria ser a prioridade do Governo, acusando a Direção Executiva do SNS de não ter agido atempadamente.
As consequências desta crise de gestão refletem-se diretamente na prestação de cuidados. O serviço de urgência geral tem registado tempos de espera que chegam a atingir as vinte horas para casos urgentes, uma situação provocada pela escassez de médicos para completar as escalas. Carlos Cortes lamentou a "enorme instabilidade" sentida pelos profissionais de saúde, que não sentem ter condições para exercer o seu trabalho em segurança.
A Ordem dos Médicos considera que a gestão da crise tem sido marcada por um erro de priorização por parte da tutela, que avançou com a substituição de administrações noutras unidades hospitalares menos problemáticas.
Para o bastonário, a situação na ULS Amadora-Sintra é "absolutamente insustentável" e representa atualmente "o ponto mais crítico" do sistema hospitalar no país, afetando tanto o hospital como os cuidados de saúde primários.
















