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Agricultores franceses bloqueiam Paris em protesto contra o acordo UE-Mercosul

Centenas de agricultores franceses bloquearam várias artérias de Paris com os seus tratores, numa manifestação de grande dimensão contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
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Agricultores franceses, organizados por sindicatos como o Coordination Rurale, bloquearam os acessos a Paris esta quinta-feira, utilizando cerca de 100 tratores para protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

Os manifestantes conseguiram furar os bloqueios policiais e posicionaram-se em locais emblemáticos como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, causando engarrafamentos significativos.

O principal receio dos agricultores é que o acordo inunde o mercado europeu com produtos agrícolas mais baratos e com menor controlo de produção provenientes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Além do acordo comercial, os protestos visam também a gestão governamental de doenças que afetam o gado, a proposta de redução do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) e a situação financeira precária do setor, com um coordenador a afirmar que 70% das explorações agrícolas estão em défice.

Esta manifestação aumenta a pressão sobre o governo de Emmanuel Macron, um dia antes da votação dos Estados-membros sobre o acordo.

A França, apesar de obter concessões, continua a resistir ao pacto.

A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, garantiu que, mesmo com uma votação favorável, o país continuará a opor-se no Parlamento Europeu.

Para tentar obter apoio, a Comissão Europeia propôs 45 mil milhões de euros em financiamento para os agricultores e a redução de taxas sobre fertilizantes.

As posições dentro da UE divergem.

Enquanto países como a Alemanha e a Espanha apoiam o acordo, a França e a Itália mostram-se reticentes.

Portugal, por outro lado, é um dos fortes apoiantes.

O ministro da Agricultura português, José Manuel Fernandes, considera que estão reunidas as condições para a aprovação, vendo no acordo uma oportunidade para aumentar as exportações de vinho, azeite e queijos, além de proteger 36 denominações de origem portuguesas.

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