Ministro francês afirma que a Europa tem o direito de dizer não aos Estados Unidos



Durante o seu discurso anual aos embaixadores franceses em Paris, o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noel Barrot, afirmou que a Europa tem o direito de dizer 'não' aos Estados Unidos, apesar de serem um aliado histórico.
Esta posição surge como uma reação direta a um documento da administração norte-americana que prevê um futuro sombrio para o continente europeu.
Barrot referia-se especificamente ao documento intitulado “Estratégia de Segurança Nacional”, publicado em dezembro do ano anterior, no qual os EUA afirmam que o declínio económico da Europa “é ofuscado pela perspetiva real e mais sombria de um colapso civilizacional”. O ministro francês sublinhou que, embora o novo governo norte-americano tenha o direito de “repensar os laços” transatlânticos, a Europa também tem o direito de discordar e seguir o seu próprio caminho.
Apesar de acreditar que a civilização europeia não irá desaparecer, Barrot alertou que a sua “organização política” está em perigo. O chefe da diplomacia francesa identificou ameaças tanto externas, por parte de adversários que procuram quebrar a solidariedade europeia, como internas, nomeadamente a “fadiga democrática”. Neste contexto de incerteza, e apesar da riqueza científica, tecnológica e cultural da Europa, o ministro deixou um aviso sério sobre o futuro da União Europeia.
“Sejamos realistas, nada garante que ainda estaremos a viver na União Europeia tal como a conhecemos daqui a 10 anos”, concluiu.
















