Governo sírio declara cessar-fogo em Alepo após confrontos com forças curdas



O Ministério da Defesa sírio anunciou um cessar-fogo em Alepo, que entrou em vigor às 03:00 (00:00 em Lisboa) nos bairros de Sheikh Maqsoud, Achrafieh e Bani Zaid.
A trégua, inicialmente de seis horas, visa terminar os confrontos entre as forças governamentais e as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, que eclodiram na terça-feira.
O acordo prevê a retirada dos combatentes curdos, que serão autorizados a levar as suas "armas ligeiras pessoais" e serão escoltados para a zona autónoma no nordeste da Síria, controlada pelas SDF. Segundo um correspondente da France Press, o cessar-fogo estava a ser respeitado e veículos para a retirada dos combatentes começaram a entrar no distrito predominantemente curdo de Ashrafieh.
No entanto, até ao momento, não houve uma resposta pública das SDF a confirmar se concordaram com os termos. Os confrontos, que incluíram bombardeamentos e ataques com drones, causaram uma grave crise humanitária, com cerca de 142 mil pessoas deslocadas.
Ambos os lados acusam-se mutuamente de iniciar a violência e de atacar deliberadamente civis e infraestruturas. As forças curdas relataram a morte de pelo menos 12 civis nos seus bairros, enquanto as autoridades governamentais reportaram pelo menos nove civis mortos nas suas áreas, além de dezenas de feridos em ambos os lados. Esta escalada de violência ocorre num momento de impasse nas negociações políticas entre o governo central, liderado pelo presidente interino Ahmad al-Sharaa, e as SDF.
As negociações dizem respeito à integração das forças curdas no exército sírio, conforme um acordo assinado em março do ano anterior.
A situação é complexa, dado que o novo exército sírio inclui fações anteriormente apoiadas pela Turquia, com um longo historial de hostilidade para com os curdos.
O enviado dos EUA para a Síria, Tom Barrack, saudou o cessar-fogo e afirmou que Washington está a trabalhar para prolongar a sua duração.


















