Hamas anuncia saída do governo de Gaza e aceita transferência de poder para comissão independente



O movimento islamita Hamas anunciou a sua intenção de abandonar a governação da Faixa de Gaza, facilitando a transferência de poder para uma comissão independente.
Esta decisão cumpre um dos pontos centrais da segunda fase do plano de cessar-fogo mediado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o porta-voz do Hamas, Hazem Qassam, o grupo não participará na futura administração do enclave e colaborará para uma transição ordeira.
O plano prevê a criação de uma “comissão palestiniana tecnocrática e apolítica”, composta por palestinianos e especialistas internacionais, que atuará sob a supervisão de um Conselho de Paz presidido por Trump. A transição está, no entanto, dependente da conclusão da primeira fase do cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro de 2025.
Esta etapa está bloqueada pela não devolução dos restos mortais do último refém israelita detido pelo Hamas.
As buscas pelo corpo foram retomadas, mas enfrentam dificuldades de acesso a zonas controladas pelo exército israelita.
O governo de Israel afirma que não avançará para a segunda fase sem a recuperação do corpo, mas os EUA parecem dispostos a prosseguir, planeando anunciar formalmente a criação do Conselho de Paz na próxima semana, com uma primeira reunião prevista para o Fórum Económico Mundial de Davos. Para dirigir o Conselho de Paz em Gaza, a administração norte-americana escolheu o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, um antigo enviado da ONU para o Médio Oriente com experiência na mediação de tensões entre Israel e o Hamas.
O conselho terá a tarefa de supervisionar o novo governo, o desarmamento gradual do Hamas — que fontes diplomáticas indicam já ter sido aceite pelo grupo —, o destacamento de uma força internacional e a reconstrução do território.
Apesar da trégua, a violência persiste.
Desde o início do cessar-fogo, mais de 400 palestinianos morreram devido a fogo israelita, com relatos recentes de pelo menos oito mortos. A guerra, iniciada com o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 que causou cerca de 1.200 mortos em Israel, já provocou mais de 71.000 mortos e 171.000 feridos na Faixa de Gaza, na sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde local.


















