Regime iraniano ameaça manifestantes com pena de morte



O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi Azad, anunciou que qualquer participante nos protestos contra o regime será considerado “inimigo de Deus”, uma acusação que no país pode ser punida com a pena capital. A declaração, divulgada pela televisão estatal, surge na sequência de um aviso do líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, que prometeu o início de uma forte repressão contra as manifestações. Os protestos eclodiram a 28 de dezembro, motivados inicialmente pelo aumento do custo de vida, a inflação galopante e a desvalorização da moeda, num contexto de sanções económicas impostas pelos Estados Unidos e pela ONU. Contudo, as manifestações rapidamente evoluíram para uma contestação política direta ao regime, com vídeos verificados a mostrar milhares de pessoas em Teerão a entoar palavras de ordem como “Morte a Khamenei”.
O governo do presidente Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, tinha respondido inicialmente com a atribuição de um subsídio mensal às famílias mais necessitadas. Para conter a disseminação de informação, as autoridades cortaram o acesso à Internet e às comunicações móveis em todo o país, dificultando o acompanhamento dos eventos a partir do exterior.
A televisão estatal iraniana alega que “a paz prevaleceu na maioria das cidades”, mas vídeos verificados pela Associated Press contradizem esta versão.
O líder supremo acusou os manifestantes de agirem a mando de um presidente estrangeiro, numa referência a Donald Trump. Segundo a organização não-governamental Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, a repressão já resultou em pelo menos 65 mortos e cerca de 2300 detidos.
A comunidade internacional condenou a violência.
Os Estados Unidos manifestaram o seu apoio aos manifestantes, com o Presidente Trump a ameaçar “bater muito forte” no Irão caso as autoridades começassem a matar civis.
Líderes de França, Alemanha e Reino Unido, bem como o governo da Noruega, condenaram veementemente o uso da força e apelaram a Teerão para que respeite os direitos fundamentais dos cidadãos.
Internamente, os cineastas Jafar Panahi e Mohammad Rasoulof denunciaram a “repressão flagrante” e pediram à comunidade internacional que estabeleça meios para monitorizar a situação no país.





















