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Livro "Pedro Alecrim" de António Mota traduzido para língua mirandesa

O clássico da literatura infantojuvenil "Pedro Alecrim", do escritor António Mota, ganha uma nova vida e sonoridade com a sua tradução para mirandês, a segunda língua oficial de Portugal.
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O livro "Pedro Alecrim", originalmente publicado em 1988 e vencedor do Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, foi traduzido para a língua mirandesa com o título "Bai Pedro Bai". A obra, da autoria de António Mota e com mais de 40 edições, narra a história de Pedro, um jovem de um meio rural que divide os seus dias entre a escola, as brincadeiras e o trabalho no campo para ajudar a família, enfrentando alegrias, tristezas e a morte do pai, que altera o seu percurso. A nova versão, editada pela Asa, estará disponível nas livrarias a partir de 2 de setembro.

A ideia para a tradução surgiu após uma apresentação do livro em Miranda do Douro, em 2023.

Os tradutores, Carlos Ferreira e Alice Almendra Ferreira, consideraram que a obra se adapta perfeitamente à Terra de Miranda. Carlos Ferreira, doutorado em Geografia e antigo professor de mirandês, referiu que a história tem um cariz biográfico, assemelhando-se ao seu próprio percurso.

A tradução foi descrita como muito direta, uma vez que o vocabulário da obra, ligado ao campo, é uma área em que a língua mirandesa é particularmente rica e especializada.

Segundo a editora, a versão mirandesa preserva a sensibilidade e o humor do original, ao mesmo tempo que valoriza o património linguístico e cultural de Portugal.

Carlos Ferreira sublinhou a importância desta publicação para o ensino do mirandês nas escolas, onde existe uma carência de obras literárias de apoio para o público infantojuvenil. O tradutor destacou que, apesar de existirem várias obras traduzidas para mirandês, são poucas as que se destinam a jovens. O mirandês tornou-se a segunda língua oficial de Portugal em setembro de 1998. É falado no concelho de Miranda do Douro e em partes dos concelhos de Vimioso e Mogadouro. Um estudo recente da Universidade de Vigo indica que existem cerca de 3.000 falantes, alertando para o risco de declínio da língua se não forem tomadas medidas para a sua preservação.

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