Emmanuel Macron acusa os Estados Unidos de se afastarem dos aliados e alerta para a divisão do mundo



Num discurso anual dirigido aos embaixadores franceses, o Presidente Emmanuel Macron afirmou que os Estados Unidos se estão a “afastar gradualmente” dos seus aliados e a desrespeitar as normas internacionais.
O chefe de Estado francês alertou para a tentação das grandes potências, como os EUA, a Rússia e a China, de dividirem o mundo, sublinhando que as instituições do multilateralismo se encontram cada vez menos eficazes.
Macron denunciou ainda o que classificou como uma crescente “agressão neocolonial” e a lógica da “lei do mais forte” nas relações diplomáticas.
As declarações surgem num contexto internacional tenso, ilustrado por exemplos como a recente operação militar norte-americana na Venezuela para capturar o Presidente Nicolás Maduro e as intenções manifestadas por Donald Trump de anexar a Gronelândia.
O Presidente francês mencionou também a guerra da Rússia na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano, as ameaças da China a Taiwan e a sua agressividade comercial.
Perante este cenário, Macron apelou a um reforço da União Europeia, defendendo que o bloco não se deve resignar a um papel meramente moral.
Propôs o fortalecimento do poder militar europeu e a proteção das suas regras económicas e tecnológicas.
Destacou a importância de defender a legislação europeia sobre o setor tecnológico, como a Lei dos Serviços Digitais e o quadro de proteção de dados, considerando-os um “escudo democrático” contra interferências externas. No plano económico, Macron defendeu uma agenda acelerada para as preferências comerciais europeias e a simplificação do mercado único e de capitais, para que a Europa possa “existir plenamente” como um bloco de 450 milhões de habitantes. Embora sem o mencionar diretamente, referiu-se ao acordo comercial entre a UE e o Mercosul, insistindo na necessidade de incluir “cláusulas de espelhamento” para assegurar que os produtos importados cumprem as normas europeias, uma posição que visa proteger, em particular, o setor agrícola francês.













