Egito anuncia acordo para comité tecnocrático administrar a Faixa de Gaza



O ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, anunciou que foi alcançado um acordo para a formação de um comité tecnocrático palestiniano que irá administrar a Faixa de Gaza. O comité, que deverá ser anunciado em breve, terá a responsabilidade de gerir a vida quotidiana e os serviços essenciais no enclave. Fontes palestinianas e egípcias indicam que o órgão será composto por 18 elementos, todos residentes em Gaza e "sem afiliação político-ideológica", sendo que o antigo vice-ministro do Planeamento, Ali Shaath, deverá ser o seu líder.
As conversações para a finalização do comité decorreram no Cairo, com a participação de várias fações palestinianas, incluindo o Hamas, a Jihad Islâmica e a Frente Popular para a Libertação da Palestina. A criação deste comité está prevista na segunda fase do plano de paz para o Médio Oriente, patrocinado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. A primeira fase do plano consistiu num cessar-fogo, que entrou em vigor a 10 de outubro de 2025, pondo fim a dois anos de guerra entre Israel e o Hamas. O conflito teve início com o ataque do grupo islamita a Israel a 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.200 mortos e no sequestro de 250 pessoas. A subsequente resposta militar de Israel na Faixa de Gaza causou, segundo o Hamas, 60 mil mortos.
As negociações contaram com a mediação do Egito, da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), dos EUA, do Qatar e da Turquia.
O búlgaro Nikolay Mladenov foi designado por Trump para supervisionar o acordo, estando em contacto com as autoridades israelitas para facilitar a deslocação dos membros do comité desde Gaza até ao Cairo para reuniões. No entanto, a transição para a segunda fase do plano enfrenta um obstáculo.
O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos exige que o governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não avance até que o corpo do último refém, o agente da polícia Ran Gvili, seja devolvido.
A primeira fase do cessar-fogo previa a libertação dos 48 reféns, "vivos e mortos".
O Hamas alega que a busca pelos restos mortais de Gvili é dificultada pelos escombros e pela falta de equipamento em Gaza.



















