A Human Rights Watch considera injustificável a morte de uma mulher por agentes federais em Minneapolis



A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) classificou como "injustificável" a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã norte-americana baleada mortalmente por um agente dos serviços de imigração e alfândega (ICE) em Minneapolis. O incidente ocorreu durante uma operação de controlo de imigração promovida pela administração do Presidente Donald Trump. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Good tentou matar os agentes com o seu veículo num "ato de terrorismo doméstico", uma versão defendida por Trump, que acusou a vítima de resistir à autoridade.
No entanto, esta narrativa é "totalmente inconsistente" com a análise de três vídeos partilhados nas redes sociais e verificados pela HRW.
A organização sustenta que as imagens contradizem claramente a alegação de que a mulher "usou o seu veículo como arma" e que os agentes não poderiam "ter temido razoavelmente a morte ou ferimentos físicos graves" no momento dos disparos.
O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, também rejeitou a justificação de legítima defesa, classificando-a como "um disparate".
A HRW acusa ainda os agentes de não terem prestado assistência médica imediata a Good após o tiroteio, com testemunhas a relatarem que veículos do ICE bloquearam a passagem da ambulância. A morte de Good provocou uma forte comoção na cidade, que já tinha sido palco de grandes protestos em 2020 após a morte de George Floyd. Centenas de pessoas manifestaram-se sob o lema "ICE fora agora", e a morte da mulher teve repercussões a nível nacional, com protestos em várias cidades dos EUA.
Um incidente semelhante ocorreu em Portland, Oregon, onde um homem e uma mulher foram baleados dentro de um veículo durante uma operação do ICE. A HRW apela a uma investigação "completa e imparcial" por parte das autoridades locais e federais, bem como a audiências de supervisão no Congresso, criticando o que considera um desmantelamento dos mecanismos de controlo interno do DHS. A organização vê este caso como um "exemplo horrível" das táticas abusivas do ICE, que colocam vidas em risco e enviam uma "mensagem ameaçadora" a imigrantes e cidadãos.




















