A Nova Estratégia de Trump: Uma Visão Hostil e Intervencionista para a Europa



A administração de Donald Trump apresentou uma nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN) que, segundo analistas como Paulo Portas e Diana Soller, é "particularmente dura" e "muito hostil" para a Europa. O documento de 33 páginas, descrito por Portas como "manso com a China e assombrosamente neutro sobre a Rússia", serve como um roteiro para garantir a contínua supremacia dos EUA, mas dedica uma atenção crítica ao continente europeu, que Trump acredita estar em risco de "extinção civilizacional" em cerca de 20 anos.
A estratégia atribui o declínio europeu a vários fatores, incluindo a atividade da União Europeia e de outros órgãos transnacionais que, segundo o texto, subjugam a soberania e a liberdade política. As críticas estendem-se às políticas migratórias, que alegadamente transformam o continente e criam tensão, à censura da liberdade de expressão, à supressão da oposição política, à diminuição das taxas de natalidade e à perda de identidade nacional. O documento ecoa a teoria da conspiração da "grande substituição", sugerindo que, em décadas, alguns membros da NATO poderão tornar-se nações de maioria não-europeia devido à imigração em massa de diferentes etnias e religiões.
Para combater este cenário, o documento propõe uma interferência direta dos EUA na política europeia.
A administração americana defende que deve encorajar e aliar-se a "partidos europeus patriotas" para promover um "revivalismo de espírito" e um "impulso patriótico".
O eurodeputado Rui Tavares interpreta esta abordagem como uma tentativa de "usar a extrema-direita para dividir a Europa". Em resposta, Tavares sugere que a Europa deve agir para construir uma Comunidade Europeia de Defesa e afirmar a sua independência.
No âmbito global, a estratégia visa "restaurar a superioridade americana", defendendo o regresso da Doutrina Monroe do século XIX para solidificar a influência de Washington no hemisfério ocidental.
Exemplos desta política incluem o aumento da presença militar nas Caraíbas e ameaças de intervenção na Venezuela.
Relativamente à Ucrânia, o documento defende uma resolução rápida do conflito para restabelecer a "estabilidade estratégica" com a Rússia.














