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Oposição venezuelana critica libertação de apenas 2% dos presos políticos apesar do anúncio do governo

O governo venezuelano anunciou a libertação de um número significativo de presos políticos, mas a oposição e organizações não-governamentais contestam os números, denunciando a lentidão do processo e a libertação de apenas uma pequena fração dos detidos.
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O governo venezuelano anunciou a libertação de 116 pessoas detidas por motivos políticos, uma medida enquadrada numa política de "justiça, diálogo e preservação da paz".

No entanto, os números são contestados pela oposição e por organizações não-governamentais (ONG).

A Plataforma Democrática Unitária (PDU), principal bloco da oposição, e a ONG Foro Penal confirmaram a libertação de apenas 24 reclusos, um número que a PDU afirma representar pouco mais de 2% do total de "quase mil pessoas" que continuam detidas por razões políticas. A PDU criticou duramente o processo, descrevendo-o como uma "tática deliberada de protelação" e um "escárnio inaceitável".

A coligação da oposição exige a libertação "plena e imediata de todos os presos políticos, sem exceções ou condições arbitrárias", alertando para o perigo de uma "porta giratória", onde se libertam uns enquanto se detêm outros.

A urgência desta exigência foi reforçada pela morte do preso político Edison José Torres Fernández sob custódia do Estado, elevando para 26 o número de óbitos nestas circunstâncias, segundo a PDU.

Entre os 24 libertados confirmados, que saíram das prisões de La Crisálida e El Rodeo 1, encontram-se nove mulheres e 15 homens, incluindo os cidadãos italianos Alberto Trentini e Mario Burlò, e Alejandro González de Canales Plaza, com dupla nacionalidade espanhola e venezuelana.

A libertação dos italianos foi celebrada pelo governo de Itália.

Contudo, familiares de outros detidos, como os quatro presos portugueses, continuam sem notícias, levando as filhas do lusodescendente Juan Ramos a questionar o governo português sobre as medidas tomadas. Enquanto as libertações ocorrem "a passo de caracol", familiares mantêm vigílias em frente às prisões.

Alguns, como a mulher do ex-deputado Freddy Superlano, puderam visitar os seus entes queridos pela primeira vez em muitos meses.

Este processo de libertação acontece num novo contexto político, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e a tomada de posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela.

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