Protestos no Irão contra o custo de vida causam mais de 30 mortos e mil detidos



A deterioração da situação económica e a queda do poder de compra desencadearam uma nova vaga de protestos no Irão, que se estende há pelo menos nove dias. As manifestações alastraram-se a dezenas de cidades, com a organização de defesa dos direitos humanos HRANA a relatar protestos em pelo menos 257 locais, distribuídos por 88 cidades em 27 províncias, apesar do aumento da presença das forças de segurança. O balanço de vítimas mortais varia consoante as fontes.
A HRANA, com sede nos EUA, denunciou a morte de pelo menos 29 a 35 pessoas, enquanto a contagem da agência France-Presse (AFP), baseada em comunicados oficiais, aponta para pelo menos 12 mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Entre as vítimas está um agente da polícia, que morreu no hospital após ser atingido por um tiro disparado por manifestantes na cidade de Malekshahi.
O número de detenções também é elevado, com a HRANA a registar mais de 1.200 pessoas presas.
A resposta das autoridades iranianas tem sido mista.
Por um lado, há relatos do uso de munições reais em algumas zonas para reprimir os protestos.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, instruiu a formação de uma equipa para uma "investigação completa" sobre uma operação policial num hospital na província de Ilam.
Gholamhossein Mohseni Ejei, chefe do poder judicial, reconheceu o direito legítimo à manifestação por reivindicações económicas, mas distinguiu os manifestantes de "arruaceiros violentos".
Oficialmente, a agência Fars noticia uma diminuição na dimensão dos protestos.
Para mitigar o descontentamento, o governo de Teerão anunciou um auxílio mensal de 10 milhões de riais (aproximadamente seis euros) por pessoa, durante quatro meses. Os atuais protestos, embora significativos, ainda não atingiram a escala das manifestações de 2022, após a morte de Mahsa Amini, ou dos protestos de 2019 contra o aumento do preço da gasolina, que também resultaram em dezenas de mortos.














