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Putin intensifica retórica de guerra santa enquanto Ocidente planeia apoio militar à Ucrânia

No contexto das celebrações do Natal ortodoxo, o presidente russo Vladimir Putin intensificou a retórica de ‘guerra santa’, enquanto um plano ocidental para instalar bases militares na Ucrânia após um cessar-fogo eleva o risco de um confronto direto com a NATO.
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Durante as celebrações do Natal ortodoxo, que na Rússia se assinala a 7 de janeiro, o presidente Vladimir Putin descreveu a guerra na Ucrânia como uma “missão sagrada”, chegando a comparar os soldados russos a Jesus Cristo na sua missão de salvar a pátria. Numa missa perto de Moscovo, rodeado por militares e oficiais dos serviços secretos, Putin reforçou a narrativa do Kremlin de que o conflito é uma guerra justa.

Esta visão é partilhada pelo chefe da Igreja Ortodoxa Russa, o Patriarca Kirill, que afirmou que as tropas não violam o mandamento “não matar” e tem afastado clérigos que se opõem à invasão.

Paralelamente, a tensão com o Ocidente aumentou após uma cimeira em Paris, onde França, Reino Unido e Ucrânia assinaram uma declaração para criar centros militares em território ucraniano após um eventual cessar-fogo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou o acordo como um compromisso concreto para a segurança do seu país, que contou também com o apoio de enviados do presidente norte-americano, Donald Trump.

A iniciativa foi, no entanto, veementemente condenada pela Rússia.

Viktor Medvedchuk, um político ucraniano pró-russo exilado em Moscovo, alertou que o plano poderia conduzir a uma Terceira Guerra Mundial, classificando-o como uma “provocação política de grande escala”. O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, acusou os países europeus de fomentarem uma “histeria antirussa”.

Apesar da forte retórica oficial e dos programas estatais de educação militar para jovens, como a Yunarmiya, surgem sinais de cansaço da guerra na sociedade russa. Lojistas em Moscovo relatam que, embora a oferta de brinquedos de temática militar tenha aumentado drasticamente desde 2022, a procura é quase nula.

Segundo os vendedores, os pais recusam comprar estes produtos para os filhos, afirmando que “as pessoas estão cansadas da guerra” e não querem “esta negatividade” para as suas crianças.

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