Pescadores da Figueira da Foz exigem a paragem de dragagens e explosivos no rio Mondego



A comunidade piscatória da Figueira da Foz exige a suspensão imediata das operações de dragagem e do uso de explosivos no leito do rio Mondego. Os trabalhos, que fazem parte de um investimento de quase 22 milhões de euros para aprofundar o acesso ao porto local, estão, segundo os pescadores, a impedir a migração da lampreia e do sável, cuja época de pesca se inicia este sábado, afetando cerca de 100 pescadores e 50 embarcações. O principal argumento dos pescadores é que as obras violam uma medida de mitigação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) do projeto. A DIA, que teve parecer favorável condicionado, estipula um período de exclusão de trabalhos entre dezembro e abril para proteger o período crítico de migração e desova de espécies como a lampreia e o sável. No entanto, as operações continuam, com avisos à navegação emitidos pela Capitania do Porto a autorizarem o uso de explosivos até ao final de fevereiro e março.
Armandina Ferreira, representante dos pescadores, afirmou que a comunidade quer "soluções, não explicações", e que a única solução é a paragem imediata dos trabalhos.
Os pescadores solicitaram uma reunião urgente com a nova administração portuária para resolver a situação, que Alexandre Carvalho, outro representante, descreve como "caótica", acusando as autoridades de quererem "matar a pesca local". Contactada pela agência Lusa, uma fonte oficial do Porto de Aveiro, que partilha a administração com o da Figueira da Foz, confirmou a execução das dragagens. A mesma fonte assegurou que, embora estes trabalhos sejam "de evitar" nesta altura, "todas as normas ambientais e de segurança estão a ser cumpridas" no que diz respeito aos rebentamentos, que são de "baixa potência" e estão devidamente regulamentados e fiscalizados.
A Agência Portuguesa do Ambiente não esteve disponível para comentar.






