Cuidados veterinários em Portugal dividem-se entre abordagem reativa e aposta na formação



Um estudo recente revela que a saúde animal em Portugal é predominantemente reativa, apesar da crescente atenção dos tutores.
Segundo o inquérito PetPulse Insights, realizado a 483 tutores, 82% visitam o veterinário anualmente, mas apenas 18% o fazem de forma preventiva.
As principais razões para as visitas continuam a ser a vacinação e a desparasitação, enquanto check-ups de rotina são subutilizados. Barreiras económicas, emocionais e de acesso são apontadas como os principais obstáculos a uma cultura de prevenção mais consolidada. O estudo aponta, contudo, para uma mudança de paradigma.
A procura por especialização médico-veterinária está a aumentar, assim como a adesão a serviços ao domicílio, já utilizados por 39% dos inquiridos como forma de reduzir o stresse nos animais.
O mercado de seguros de saúde animal também apresenta um potencial de crescimento significativo: embora apenas 15% dos tutores possuam um seguro, 40% manifestam intenção de aderir no futuro. Bernardo Soares, médico veterinário, refere que a saúde animal se aproxima do modelo humano, tornando-se mais especializada e focada na qualidade de vida.
No plano da saúde pública, a diretora-geral da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Pombo, admitiu que a cobertura da Autoridade Sanitária Veterinária é insuficiente no país.
Existem atualmente 140 médicos veterinários reconhecidos pela DGAV a servir 138 municípios, deixando mais de metade dos concelhos sem esta figura.
Pombo sublinhou a importância destes profissionais para a proteção animal e segurança da saúde pública, lembrando que a sua presença nos municípios é prevista na legislação desde a década de 1940.
Em resposta às novas exigências do setor, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) lançou um mestrado pioneiro em Enfermagem Veterinária Médico-Cirúrgica.
A formação, com candidaturas abertas até 15 de janeiro, abrange diversas espécies — desde animais de companhia a exóticos e de pecuária — e integra áreas emergentes como a Enfermagem Veterinária Forense.
O curso visa preparar profissionais altamente qualificados para modernizar os cuidados de saúde animal.











