Falta de professores agrava-se no início do segundo período letivo com mais de 300 aposentações



O segundo período do ano letivo 2025/2026 iniciou-se com menos 310 professores, que se aposentaram em janeiro.
Este número, referente apenas aos subscritores da Caixa Geral de Aposentações, pode ser superior, agravando um problema que especialistas consideram o mais preocupante na comunidade escolar.
Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), atribui a crise a uma carreira pouco valorizada e alerta que a escassez, antes concentrada em regiões como Lisboa, Alentejo e Algarve, irá estender-se a todo o país.
Especialistas e diretores defendem que a solução passa por o Ministério da Educação criar estratégias que dignifiquem a profissão para atrair jovens. No entanto, Cristina Mota, da Missão Escola Pública, critica a tutela por adotar “medidas avulsas” que se tornam permanentes, como a redução das exigências para o acesso à docência, o que, na sua opinião, degrada a qualidade do ensino. O problema afeta também o ensino privado, que enfrenta as mesmas dificuldades de contratação e critica os concursos públicos a meio do ano letivo por criarem instabilidade.
Para além dos docentes, Filinto Lima salienta a carência de pessoal não docente, como terapeutas e assistentes operacionais. O psicólogo Alfredo Leite alerta para o impacto emocional da situação, referindo que a instabilidade de horários e a ausência de professores de referência aumentam a ansiedade e a indisciplina nos alunos, e o burnout nos docentes que permanecem no sistema.
As perspetivas futuras são igualmente negativas.
Um estudo da Nova School of Business and Economics prevê que, até 2034/35, o corpo docente em Portugal perca mais de um terço dos seus profissionais.
As regiões Centro e Norte serão as mais afetadas pelas aposentações, e as disciplinas de Português, Matemática e Física e Química enfrentarão as maiores carências.













