António Cunha e Álvaro Santos disputam a liderança da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte



Das cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), apenas a do Norte apresenta uma disputa eleitoral com dois candidatos à liderança.
De um lado, António Cunha, atual presidente, recandidata-se como independente, criticando a influência política de um acordo entre o PS e o PSD que indicou o seu adversário, Álvaro Santos.
Cunha defende que a escolha do presidente deve caber às "pessoas do Norte".
Álvaro Santos, indicado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, contrapõe as críticas de Cunha, lembrando que o atual presidente beneficiou de um acordo semelhante entre os dois partidos quando foi eleito em 2020, sendo na altura o único candidato.
Santos apela, por isso, a uma maior coerência por parte do seu adversário.
A candidatura de Álvaro Santos, que renunciou à vice-presidência da Câmara de Gaia, conta com o apoio do executivo, mas enfrenta alguma contestação dentro do próprio PS, com a concelhia de Gaia a negar-lhe o apoio. Outro ponto de discórdia é a nova orgânica das CCDR, que António Cunha classifica como tendo um "excesso de governamentalização", uma vez que o Governo passa a nomear cinco vice-presidentes. Apesar de admitir uma boa experiência de trabalho com um vice-presidente já nomeado pelo Governo para a sua equipa, Cunha alerta para a dependência dos ciclos políticos.
Em contraste, Álvaro Santos afirma que não lhe compete concordar ou discordar do modelo, sublinhando que a CCDR é uma instituição do Estado que deve servir o território em alinhamento com o programa do Governo em funções.
Ambos os candidatos mostram-se confiantes na vitória.
Álvaro Santos critica a baixa taxa de execução do programa Norte 2030 sob a liderança de Cunha (8,3%) e afirma ter o apoio da "esmagadora maioria dos autarcas". Por sua vez, António Cunha invoca o apoio de 900 membros do colégio eleitoral e um manifesto subscrito por 50 personalidades.
A posição do Governo foi clarificada pelo primeiro-ministro, que afirmou que os líderes das CCDR devem seguir as orientações políticas do executivo e não agir como representantes de um poder regional.

























