Banco de Portugal alerta para prazos de crédito habitação enquanto Euribor regista movimentos mistos



As taxas Euribor registaram movimentos divergentes, com subidas nos prazos a seis e doze meses e uma descida no prazo a três meses.
A Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação de taxa variável, subiu para 2,116%, representando 38,6% do total de empréstimos, segundo dados de novembro do Banco de Portugal (BdP). A taxa a 12 meses avançou para 2,251%, enquanto a taxa a três meses recuou para 2,019%.
Estes movimentos ocorrem após o Banco Central Europeu (BCE) ter mantido as suas taxas diretoras inalteradas na reunião de dezembro, pela quarta vez consecutiva, depois de um ciclo de cortes iniciado em junho de 2024.
Paralelamente, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, alertou que as instituições bancárias estão a estender os prazos dos novos créditos à habitação para além dos limites recomendados. A maturidade média dos novos contratos aumentou de 30,8 anos no final de 2024 para 31,9 anos no terceiro trimestre de 2025, ultrapassando a recomendação de uma média igual ou inferior a 30 anos.
Esta prática permite reduzir a prestação mensal e, consequentemente, a taxa de esforço, ou aumentar os montantes financiados.
Álvaro Santos Pereira defende que as recomendações macroprudenciais, como o limite de financiamento de 90% do valor do imóvel (LTV), se tornem vinculativas para evitar "abusos do passado". Apesar das preocupações do regulador, dados do BdP referentes ao terceiro trimestre de 2025 indicam uma situação financeira estável para a maioria dos mutuários.
Cerca de 53% dos créditos apresentavam uma taxa de esforço (LSTI) inferior ou igual a 20%, e apenas 4,9% superavam os 40%. A combinação de LTV superior a 80% e LSTI acima de 40%, considerada de maior risco, era residual (0,8%). Adicionalmente, a maior parte do crédito à habitação (66%) está concentrada em famílias dos dois escalões de rendimento mais elevados, que possuem maior capacidade para absorver eventuais choques financeiros.


















