Aumentos nas tarifas da água em Faro e no Porto geram debate político



Em Faro, o tarifário da água sofrerá uma atualização de 2,14% a partir de 1 de março de 2026. A proposta da Fagar, empresa gestora do serviço, foi aprovada pela Câmara Municipal e justifica o valor com a necessidade de cumprir a recomendação da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) para um período de 10 meses.
O executivo socialista, liderado por António Miguel Pina, salienta que o ajuste anualizado corresponde a 1,8%, valor inferior à inflação de 2,3% registada em 2025.
A decisão gerou fortes críticas do PSD, que acusou o PS de "incoerência", recordando que os socialistas se opuseram a um aumento em 2023, classificando-o como um "saque aos farenses". O PSD argumenta que Faro já tem dos preços mais altos do Algarve e que a solução passaria por melhorar a eficiência da empresa e recuperar condutas obsoletas, aproveitando financiamentos a fundo perdido. Em resposta, o autarca de Faro classificou a posição do PSD como "teatro político", afirmando que o anterior executivo social-democrata aumentou taxas em mais de 300% em 2023, bem acima do recomendado, e que a atual gestão cumpre a lei e as orientações regulatórias.
No Porto, o executivo municipal ratificou um aumento de 2,8% na tarifa da água para 2026. A vice-presidente Catarina Araújo explicou que esta atualização já estava prevista no Contrato de Gestão Delegada com a empresa municipal Águas e Energia do Porto para o quinquénio 2024-2028. O aumento é composto por 1,8% correspondente à taxa de inflação prevista e 1% para "necessidades de investimento".
A autarca defendeu que, mesmo com a subida, o Porto continuará a ser uma das cidades da Área Metropolitana com os encargos mais baixos para as famílias.
A oposição, nomeadamente o Partido Socialista e o Chega, lamentou que a atualização para um serviço essencial fique acima do valor da inflação.
O PS foi recordado pelo executivo de que, no mandato anterior, aprovou o contrato que prevê esta atualização.













