Irão apresenta queixa na ONU contra os EUA por ameaça de intervenção nos protestos internos



Protestos em massa contra o custo de vida e a crise económica no Irão, que já se estenderam a mais de 30 cidades, resultaram numa tensa troca de acusações entre Teerão e Washington. As manifestações, consideradas a maior expressão de descontentamento público desde 2022, foram motivadas pela desvalorização da moeda nacional, o rial, e por uma taxa de inflação que atingiu 52% em dezembro, segundo dados oficiais iranianos.
Os confrontos entre manifestantes e forças de segurança já causaram pelo menos sete mortos, 33 feridos e 119 detidos, de acordo com a organização não-governamental Hrana.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir, afirmando que os militares norte-americanos estão "prontos, armados e preparados" para auxiliar os "manifestantes pacíficos" caso o regime iraniano dispare para matar.
Esta declaração foi recebida com forte repúdio por parte das autoridades iranianas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, classificou a ameaça como "imprudente e perigosa", enquanto Ali Larijani, conselheiro do líder supremo, avisou Trump para "ter cuidado", sublinhando que qualquer interferência desestabilizaria a região.
Em resposta, o Irão formalizou um protesto junto das Nações Unidas.
Numa carta enviada ao secretário-geral António Guterres, o representante permanente do Irão, Amir Saeed Iravani, acusou os EUA de "clara interferência nos assuntos internos", violação do direito internacional e incitação à violência. Iravani instou a ONU a condenar "inequivoca e firmemente" as palavras de Trump e afirmou que o Irão exercerá os seus direitos "de forma decisiva e proporcional", responsabilizando os EUA por qualquer escalada de tensão. Entretanto, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, apelou a Teerão para que respeite a liberdade de expressão e o direito à manifestação pacífica.
A polícia iraniana, por sua vez, reconheceu a natureza económica das reivindicações, mas advertiu que não tolerará o "caos", distinguindo entre protestos legítimos e "ações destrutivas".




















