União Europeia considera preocupantes as ameaças dos EUA de anexar a Gronelândia



A Alta-Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Kaja Kallas, classificou como "extremamente preocupantes" as intenções da administração Trump de assumir o controlo da Gronelândia. Numa conferência de imprensa no Egito, Kallas afirmou que, embora a UE seja um "aliado forte" dos Estados Unidos, as declarações de Trump "não ajudam a obter estabilidade".
O bloco europeu está a debater internamente se a ameaça é real e qual deverá ser a resposta dos 27 Estados-membros, sublinhando a importância do Direito Internacional como protetor dos países pequenos e reiterando a defesa da "integridade territorial e soberania dos Estados".
A Casa Branca não exclui uma ação militar para controlar o território, apesar de considerar a diplomacia como a primeira opção, e anunciou uma reunião com representantes dinamarqueses para discutir o assunto.
O governo da Dinamarca, que já alertou que um ataque significaria o fim da NATO, considerou a marcação da reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um passo positivo na via do diálogo.
O interesse dos EUA na Gronelândia prende-se com as suas vastas reservas de minerais estratégicos.
Em resposta, os líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta, defendendo que o futuro da Gronelândia só pode ser decidido pelos seus cidadãos e que a segurança do Ártico deve ser garantida coletivamente pelos aliados da NATO. Este apoio foi reiterado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha e Polónia.
As tensões já levantam preocupações económicas, com o responsável do Parlamento Europeu pelo Comércio a indicar que a situação está a alterar a avaliação de um acordo comercial entre a UE e os EUA, com alguns eurodeputados a sugerirem o seu congelamento.
A Gronelândia, com uma população de cerca de 57.000 habitantes, depende economicamente da pesca e da ajuda anual da Dinamarca.


















