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Governo interino da Venezuela procura diálogo com a Europa enquanto enfrenta profundos desafios no setor petrolífero

Após a captura de Nicolás Maduro, a Venezuela, sob um governo interino, sinaliza uma abertura diplomática à Europa. No entanto, o país enfrenta uma dura realidade económica, com o seu vasto setor petrolífero a ser considerado estruturalmente pouco atrativo para o investimento internacional.
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Após a captura do presidente Nicolás Maduro durante ataques norte-americanos, a Venezuela, sob a liderança da presidente interina Delcy Rodríguez, iniciou uma aproximação diplomática à Europa.

Numa reunião em Caracas com representantes da União Europeia, do Reino Unido e da Suíça, o governo venezuelano manifestou a sua disposição para avançar numa "nova agenda" de diálogo e cooperação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, descreveu o encontro como "franco, cordial, agradável", afirmando que se abre uma "etapa muito interessante de diálogo" baseada no respeito mútuo e na igualdade entre os Estados.

A reunião contou também com a presença de figuras importantes como o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, e o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello.

Esta iniciativa surge num contexto em que a UE já tinha afirmado que manteria contactos com as autoridades venezuelanas, o Reino Unido defendia uma "transição pacífica" e a Suíça havia congelado ativos de Maduro.

Contudo, esta abertura política contrasta com os profundos desafios económicos do país, especialmente no seu setor energético.

Embora a Venezuela possua as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo — cerca de 300 mil milhões de barris —, a sua produção atual é uma sombra do que já foi, tendo caído de picos de 3,5 milhões de barris diários para cerca de 1 milhão. Esta quebra reflete décadas de má governação e subinvestimento, numa economia onde o petróleo constitui mais de 90% das exportações.

Para os investidores internacionais, o país continua a ser pouco atrativo.

A produção de crude pesado na Faixa do Orinoco é dispendiosa e tecnologicamente exigente.

A instabilidade política crónica, a insegurança jurídica e as infraestruturas degradadas criam um ambiente de alto risco. Mesmo perante um possível alívio das sanções dos EUA, que animou momentaneamente as refinarias norte-americanas, o mercado global de capitais privilegia a segurança e a rentabilidade estável, afastando-se de mega-projetos em territórios voláteis.

A conclusão, segundo analistas, é clara: possuir vastos recursos não garante o estatuto de protagonista energético sem estabilidade, capital e um quadro legal fiável.

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